segunda-feira, 8 de março de 2021

Dia Internacional da Mulher

 Em 1913, as mulheres já protestavam pelo direito de votar nos Estados Unidos

As histórias que remetem à criação do Dia Internacional da Mulher alimentam o imaginário de que a data teria surgido a partir de um incêndio em uma fábrica têxtil de Nova York em 1911, quando cerca de 130 operárias morreram carbonizadas. Sem dúvida, o incidente ocorrido em 25 de março daquele ano marcou a trajetória das lutas feministas ao longo do século 20, mas os eventos que levaram à criação da data são bem anteriores a este acontecimento.

O primeiro Dia Nacional da Mulher foi celebrado em maio de 1908 nos Estados Unidos, quando cerca de 1500 mulheres aderiram a uma manifestação em prol da igualdade económica e política no país. No ano seguinte, o Partido Socialista dos EUA oficializou a data como sendo 28 de fevereiro, com um protesto que reuniu mais de 3 mil pessoas no centro de Nova York e culminou, em novembro de 1909, numa longa greve têxtil que fechou quase 500 fábricas americanas.

Em 1910, durante a II Conferência Internacional de Mulheres Socialistas na Dinamarca, uma resolução para a criação de uma data anual para a celebração dos direitos da mulher foi aprovada por mais de cem representantes de 17 países. O objetivo era honrar as lutas femininas e, assim, obter suporte para instituir o sufrágio universal em diversas nações.

Com a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) eclodiram ainda mais protestos em todo o mundo. Mas foi em 8 de março de 1917 (23 de fevereiro no calendário Juliano, adotado pela Rússia até então), quando aproximadamente 90 mil operárias se manifestaram contra o Czar Nicolau II, as más condições de trabalho, a fome e a participação russa na guerra - num protesto conhecido como "Pão e Paz" - que a data se consagrou, embora tenha sido oficializada como Dia Internacional da Mulher, apenas em 1921.

Somente mais de 20 anos depois, em 1945, a Organização das Nações Unidas (ONU) assinou o primeiro acordo internacional que afirmava princípios de igualdade entre homens e mulheres. Nos anos 1960, o movimento feminista ganhou corpo, em 1975 comemorou-se oficialmente o Ano Internacional da Mulher e em 1977 o "8 de março" foi reconhecido oficialmente pelas Nações Unidas.

"O 8 de março deve ser visto como um momento de mobilização para a conquista de direitos e para discutir as discriminações e violências morais, físicas e sexuais, ainda sofridas pelas mulheres, impedindo que retrocessos ameacem o que já foi alcançado em diversos países". Citação de Maria Célia Orlato Selem

https://novaescola.org.br/conteudo/301/por-que-8-de-marco-e-o-dia-internacional-da-mulher

Sugestões de leitura

"As cientistas: 50 mulheres que mudaram o mundo" - Rachel Ignotofsky

"Sejamos todos Feministas" - Chimamanda Ngozi Adichie

"Um quarto só seu" - Virginia Woolf


Sugestões de música

Woman - John Lennon

I'm Every Woman Whitney Houston

Black Magic Woman - Santana

Woman in Love - Barbra Streisand

I am a Woman - Betty Wright

sábado, 13 de fevereiro de 2021

14 de fevereiro - Dia de São Valentim

Poemas de Amor... 

Amor é fogo que arde sem se ver;

É ferida que dói, e não se sente;

É um contentamento descontente;

É dor que desatina sem doer.

 

É um não querer mais que bem querer;

É um andar solitário entre a gente;

É nunca contentar-se de contente;

É um cuidar que se ganha em se perder.

 

É querer estar preso por vontade;

É servir a quem vence, o vencedor;

É ter com quem nos mata, lealdade.

 

Mas como causar pode seu favor

Nos corações humanos amizade,

Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

                                                                  Luís Vaz de Camões

Amar!

Eu quero amar, amar perdidamente!

Amar só por amar: Aqui... além...

Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente

Amar! Amar! E não amar ninguém!

 

Recordar? Esquecer? Indiferente!...

Prender ou desprender? É mal? É bem?

Quem disser que se pode amar alguém

Durante a vida inteira é porque mente!

 

Há uma Primavera em cada vida:

É preciso cantá-la assim florida,

Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

 

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada

Que seja a minha noite uma alvorada,

Que me saiba perder... pra me encontrar...

                                                                   Florbela Espanca

A Biblioteca continua aberta... virtualmente!

"Sabia que a Biblioteca Escolar continua à sua disposição?”

Para pesquisa bibliográfica, curadoria de conteúdos, apoio na realização de pesquisa/trabalhos, referências bibliográficas…

De forma síncrona, através do Meet da Classroom da BE no seguinte horário

2.ª   09h30 - 10h20   

3.ª   14h30 - 15h20

4.ª   09h30 -10h20

5.ª   14h30 - 15h20

6.ª   10h40 - 11h30

De forma assíncrona através do e-mail de contacto da BE.



segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

Sugestão de leitura - Miguel Torga

Um Poema

Não tenhas medo, ouve:

É um poema

Um misto de oração e de feitiço...

Sem qualquer compromisso,

Ouve-o atentamente,

De coração lavado.

Poderás decorá-lo

E rezá-lo

Ao deitar,

Ao levantar,

Ou nas restantes horas de tristeza

Na segura certeza

De que mal não te faz.

E pode acontecer que te dê paz...

Miguela Torga in, Diário XIII

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Dia Mundial da Leitura em Voz Alta - 1 de fevereiro

O Dia Mundial da Leitura em Voz Alta, celebra-se no dia 1.º de fevereiro. É um projeto incrível criado pela organização não governamental LitWorld com o intuito de promover a prática da leitura em voz alta em todo o mundo. Tem como finalidade erradicar a iliteracia e à qual o Plano Nacional de Leitura se associou.

Este ano, a Biblioteca desafia professores, alunos e restante comunidade educativa a partilhar Leituras em Voz Alta.

Entre os dias 1 e dia 7 escolham um poema, um excerto de um livro, uma mensagem escrita, gravem e enviem para: serviço.beaev@esvilela.pt

Para todos, em especial para os alunos... há um espetáculo especial!

Sabias que há clubes de leitura em voz alta? Pois é! Não são só clubes de leitura, são clubes de leitura em voz alta! Na Escola Básica Professor João Dias Agudo, do Agrupamento de Escola da Venda do Pinheiro (Mafra), existe um clube desses, chamado Clevinhas.

Os alunos do Clevinhas trabalharam com a companhia de teatro Andante e montaram um espetáculo para comemorar o Dia Mundial da Leitura em Voz Alta, que se assinala hoje.

Chama-se Absurdez (isto não faz sentido nenhum). Diverte-te!




terça-feira, 26 de janeiro de 2021

27 de janeiro – Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto

O Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto é celebrado anualmente no dia 27 de janeiro, no aniversário da libertação do Campo de Concentração e Extermínio Nazi de Auschwitz-Birkenau pelas tropas soviéticas em 27 de janeiro de 1945. Este dia foi proclamado como o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto através da Resolução 60/7 adotada na Assembleia Geral das Nações Unidas a 1 de dezembro de 2005. Esta data tem dois objetivos: em primeiro lugar, presta-se homenagem à memória das vítimas do Holocausto e, em segundo lugar, relembra-se a necessidade de combater o antissemitismo, o racismo e quaisquer outras formas de intolerância que possam levar à violência.

Sugestões de leitura:

"A Bibliotecária de Auschwitz"; "Os Meninos que enganavam os Nazis"; "O Tatuador de Auschwitz"; 

"Portugueses no Holocausto"; "O Rapaz do Pijama às Riscas"; "O Diário de Anne Frank"; ...


"Querido 2021, seja bem-vindo!

Entre, a casa é sua.

Se não for pedir demais, nos devolva, por favor, todos os abraços que seu prezado antecessor nos roubou. Queremos também as gargalhadas dos parentes e amigos, o livre sorriso dos desconhecidos, a brisa no rosto.

Gostaríamos ainda de ter de volta a alegria das viagens; a tumultuosa euforia dos estados e dos grandes shows; todas as tardes em que não fomos beber cerveja com os amigos no boteco da esquina.

Não se esqueça de nos devolver aqueles jantares intermináveis, em que discutíamos o fim do mundo e como iríamos recomeçá-lo.

Hoje, que sabemos muito mais sobre o fim do mundo, essas conversas antigas me parecem todas um tanto ou quanto ingênuas. Contudo, mais do que antes, é importante conversar sobre recomeços. Trocar sonhos. Debater utopias.

Peço em particular que me devolvas festivais literários - dos quais, em 2019, eu estava até (confesso) um pouquinho enfastiado. Durante o seu reinado, quero muito regressar a Paraty. Não posso perder a FliAraxá, a Flup ou a Flica, em Cachoeira.

Eu, que não sou de futebol nem carnaval, agora sinto ânsias de me perder entre multidões, gritando, sambando, abraçando, me descobrindo nos outros. Quero dançar sem culpa. Quero poder voltar a abraçar meus velhos pais sem medo de os contaminar.

A maior invenção da Humanidade não foi a roda nem o fogo. Não foi o futebol, a feijoada, o samba, o xadrez, a literatura, sequer a internet. A maior invenção da Humanidade, querido 2021, foi o abraço.

Olho para trás e vejo a primeira mãe, acolhendo nos braços o filho pequeno.

O nosso pai primordial apertando contra o peito forte (e peludo) a mulher amada; dois amigos se consolando numa armadura de afeto. Depois desses primeiros abraços, alguma coisa mudou para sempre. O mundo continuou perigoso, sim, o mundo será sempre perigoso, mas passamos a ter o conforto de um território inviolável.

Foi o abraço que fundou a civilização.

Com elevada estima,"

José Eduardo Agualusa

In, Mala d´estórias